quinta-feira, 30 de julho de 2009

Primeiro tiro na macaca

São exatamente 23:22h. Daqui a pouco, às 00:00h estarei completando 25 anos, 1/4 de século, ou como algumas pessoas mais velhas já me falaram, " dando meu primeiro tiro na macaca".
Minha mãe, há uns dias atrás, me disse: "Nossa, minha filha vai fazer 25 anos. Na minha época diziam que era hora de dar tiro na macaca."
Tiro na macaca, antigamente, era a expressão para dizer que a mulher estava chegando aos 25 anos e ficando para a titia, encalhada, ou seja, doida pra casar. A cada 5 anos a mulher dá mais um tiro. O risco é a macaca morrer e a mulher ficar solteira para todo o sempre, amém!
Ai eu fico aqui pensando: Coitada da macaca! Nos tempos atuais, só se fala de reciclagem, preservação do meio ambiente, deixem a macaca em paz!

Para começar esse blog, resolvi escrever sobre esse momento, esse meu primeiro tiro. Mas não na macaca, coitada. Esses 25 anos vêm carregados de mtos afetos, mtos encontros, mtos momentos e histórias que me tornaram a pessoa que sou. Se vc não gosta de ler, pare por aqui. Senão, sente que lá vem a história!
Dando uma espiada rápida no túnel do tempo, viajo até o Castelinho (minha primeira escola) nas festas folclóricas vestida de flor de cartolina e papel crepon que a Tia confeccionava; dou uma volta nos corredores do Monteiro Lobato (tantas histórias me vêm à cabeça, como por exemplo os meninos saindo da educação física sem tomar banho e ficarem na frente do ventilador fedendo só pra implicar com as meninas!); entro na van do Mazinho às 5:50 am pra ir ao Pentágono e fazer prova todo o sábado (que perrengue!) enquanto via o pessoal daqui do prédio chegar das festinhas que eu nunca podia ir ás sextas-feiras. Falando do pessoal do prédio, me lembro dos piques-pegas, polícia e ladrão, queimado, barracos de vizinhos, festinhas americanas, meu pai descendo de pijama pra me buscar pq já tinha passado da hora... q vergonha! Vou também até o Colégio Militar, uma passagem rápida, porém intensa, com direito à gritos de guerra, formatura às 6:30 am, uniforme impecável e mta prestação de continência para os milicos. Volto depois para o Monteiro, para as aulas (?) junto com o grupo da farofa. Vestibular. Passei!!! Vou parar num pensionato e mais 2 repúblicas. Vou aprender à partilhar, à compartilhar. Vou pra UFF, 5 anos tão felizes! Agora é que não páro de viajar mesmo! Dou um pulo, quer dizer, vários pulos em Rio das Ostras, ando de camburão, vou ao camarim da Elba (sem a Elba), descubro que o problema todo é do hipotálamo, presencio inundações. Depois, faço a carteirinha do Silva´s Garden Club, faço baldeação, ando na caçamba de caminhão, acampo no jardim, faço mímicas para descobrir filmes, faço roda de viola, vejo sapos sendo explodidos, garotos cospindo fogo, funfunhas de quem vai cozinhar, faço macarrão, faço vaquinha, faço bagunça.
Entre uma viagem e outra, tem trabalhos e aulas para assistir. Da janela da sala, vejo o pôr-do-sol do Gragoatá, os aviões decolando, vou às choppadas, às viagens de onibus por esse Brasil à fora, tomo banho frio no Fórum Social Mundial e pego uma insolação em Aracaju. Vou também parar num hospital psiquiátrico.
Na quinta-feira começa o final de semana. Vou à festas mto doidas, vou até onde o onibus me leva. O restante eu vou à pé, com sorte, de taxi. Aprendo que não importa como estou indo, o que importa é que estou chegando.
E nessa aventura vou à Trindade, descubro uma praia de nudismo e presencio um fenômeno de barracas que quebram, gente vulgarizando, ficando 'pavorosoas', vi tantas coisas... No ano seguinte, vou à Camburi, divido PF à 10 reais, tomo banho frio durante 1 semana, vivo sem luz , vou à cachoeira, compro uma tornozeleira com o Brasil e volto com uma energia inexplicável.
Volto ao mundo real e vou tb à minha festa de formatura que durou 15 minutos (?) e quem vê as fotos fica até triste de ver tanta gente chorando. Mas, parafraseando o Rappa, " Valeu a pena, ê ê!"
E como eu não canso de ir, vou pra Bélgica. Vou pra tantos outros lugares. Falo outras línguas.
Volto pro Brasil. Descubro o "Longaine", vou à Nuth, ao Castelo das Pedras, à Lapa, à tantos lugares. Vou na mala do carro, durmo em sofás de amigos, ouço roncos. Descubro que é possivel ficar em pé com 8 tequilas, mas a sanidade já entrou em coma nesse momento.

Nessa viagem pelo túnel do tempo eu vou longe, vou à muitos lugares, com muitas pessoas. Algumas foram ficando pelo caminho, outras vêm me acompanhando até aqui. Cada uma com sua importância, seu carinho e suas histórias.
Nesses 25 anos, eu sou um pouco de cada um que por aqui passou. Sou tb um poucão dos que aqui estão. (rimou!!)
Obrigada por esses 25 anos!

E por aqui eu encerro meu primeiro tiro.
00:55h .
Poooow !
=D